quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Olhe primeiro para dentro

Tentamos controlar tudo ao nosso redor, esse é o nosso maior problema.

Acreditamos que podemos ditar o rumo das coisas, implantar ideias nas pessoas, mudar a direção do vento, decifrar os enigmas do universo, prever as reações das pessoas da mesma forma que prevemos o clima.

Mas a vida não funciona assim.

Como podemos querer controlar tudo que está fora, se não conseguimos sequer controlar o que está dentro?

Somos ansiosos, impulsivos, compulsivos, emotivos, passionais, descontrolados em todos os níveis.

Dizem que toda revolução vem de dentro; que antes de limpar o quintal, devemos limpar a cozinha.

Sendo assim, por que insistimos em tentar mudar o que está além do nosso alcance antes de mudarmos o que só depende da gente?

Por que relutamos em tentar controlar tudo que é externo (e, obviamente, incontrolável) e não damos a mínima para o que ocorre em nosso interior?

Não sei muito da vida, mas o pouco que já vivi foi suficiente para me provar que demos deixar de ser “controladores” e sermos controlados.

Conversando com o espelho

- Doutor, eu tenho um problema.
- Qual?
- Existem dois “eus” aqui dentro: um “eu” bondoso, justo, paciente, amável, altruísta e amigável; e um “eu” egoísta, compulsivo, luxurioso, feroz, que não respeita acordos e não tem limites.
- Ok, entendi. Mas por que você vê isso como um problema?
- Porque é incompatível ser assim e alcançar a sabedoria.
- Alcançar a sabedoria? Esse é o seu objetivo de vida?
- Sim. Na verdade, viver bem o caminho da busca pela sabedoria é o meu objetivo de vida – ainda não tenho certeza se é possível alcançá-la, mas tentarei chegar o mais perto possível.
- Tá certo. Nesse caso, voltemos aos seus dois “eus”. Há quanto tempo eles estão aí?
- Provavelmente, a vida toda. Mas eu tenho consciência da coexistência deles há uns 3 anos.
- Um bom tempo... suponho que as coisas vêm dando certo então. Mas, como funciona isso? Eles têm consciência diversa ou é a mesma agindo de formas diferentes?
- Boa pergunta… assim, eles coexistem e têm a mesma consciência. Ela é una, é minha. Mas eles é que dominam as minhas ações e a minha forma de pensar.
- Tá, mas eles ficam brigando o tempo todo ou cada um “tem a sua vez”?
- Algumas vezes eles brigam sim, mas em regra um “assume o comando” enquanto o outro "hiberna".
- Tô entendendo… como é quando eles brigam?
- Quando um está no comando e ocorre alguma situação que remete ao outro, o outro acorda e tenta “assumir as rédeas”. Daí há o conflito, pois, teoricamente, “tava na vez do outro”. Geralmente ocorre quando me distraio ou “fico no automático”.
- Entendo… mas o que você acha que tem? Uma dupla personalidade? Alguma doença?
- Não sei, oras! Afinal, o médico aqui é você! Foi pra isso que eu vim aqui: para que você me ajudasse com esse meu problema.
- Mas você realmente tem um problema?
- Claro que tenho. Acabei de te contar… ou você acha que é só um descontrole? Você por acaso sente a mesma coisa que eu?
- Claro que sinto. Provavelmente não na mesma proporção, mas todos nós temos dois “eus” internos (algumas pessoas têm até mais do que dois). A questão é que em algumas pessoas (como no seu caso), esse conflito é mais latente. Eu não costumo alimentar essa divisão. Eu tento ao máximo torná-los um só. Você deveria tentar fazer o mesmo.
- Então você sugere que, em vez de eliminar um dos dois, eu deveria misturá-los e torná-los um só?
- Sim, o nome disso é equilíbrio.
- Ok, deixa eu ver se entendi. Então você também tem dois “eus” internos (um bom e um mau), mas eles não lutam aí dentro, ao contrário, eles se uniram e formaram um eu só, nem bom, nem mau. É isso mesmo?
- Bem, mais ou menos. Sabe como é, né? Eu sou humano. E ser humano é isso: não somos nem totalmente bons, nem totalmente maus.
- Você acha isso mesmo?
- Acho sim. Por que? Você pensa diferente?
- Sim. Eu acho que podemos ser completamente bons ou maus. Se for para não ser nem bom, nem mau, eu prefiro continuar com os meus dois “eus” antagônicos. Assim, pelo menos em boa parte do meu dia, eu serei completamente bom e virtuoso, mesmo que às vezes eu libere a fera que existe aqui dentro.
- Não sei se fui claro o suficiente, mas tentarei explicar melhor. Eu vejo assim: esse “eu” virtuoso é o que há de mais elevado na gente, nosso aspecto mais divino (mais puro, se preferir), e é movido por sentimentos elevados e positivos; já o “eu” que você chama de fera é o nosso lado mais animalesco e é movido pelos desejos mais baixos que temos. Assim, a nossa consciência, o meio termo que eu disse, é o nosso lado neutro, humano. Nem divino, nem animal. Simplesmente humano.
- Humm… agora entendi. Mas, assim, você não acha que devemos ser menos humanos (ou neutros, como você definiu) e ser mais “divinos”, mais puros?
- Na verdade, eu não sei. Sinceramente, estou satisfeito com a minha humanidade plena. Nem divino, nem animal, apenas humano. Acho bonita a ideia de se tornar mais puro e querer alcançar a sabedoria, mas o que desejo mesmo é ser cada vez mais humano.
- É doutor, talvez não seja eu que precise de ajuda então.

domingo, 27 de setembro de 2015

Marca no pescoço

Uma marca no pescoço,
A prova do crime
Em um momento de descuido,
Eis que ela surge

Passamos do limite
E nem sequer notamos
Exageramos na dose
Quando os olhos, juntos, fechamos

Um erro meu,
Um descuido seu
Um beijo no pescoço
E a mancha apareceu

Mas fique tranquila,
Logo irá passar
O corpo vai se recompor
E a marca sumirá

O seu jeito de menina
Com sua peralta inocência
Me encanta e alucina
Me faz reviver a adolescência

Me perco no teu sorriso
Me encontro no teu olhar
Sinto uma dose do paraíso
Ao fechar os olhos e te beijar

Agora vá, minha princesinha
Vá que é tarde demais
O que passou, passou
Não volta jamais

Saiba que aproveitamos bem cada momento
Saiba que você tem moradia fixa no meu pensamento
Saiba que a todo lugar te levo comigo
Assim como o pescoço leva a marca do nosso vício

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Quem manda aqui

Quando o teu corpo reclamar, ignore-o.

Quando o teu corpo pedir para parar, faça-te de surdo.

Quando o teu corpo implorar desesperadamente, respire fundo, conte até três e continue o que estavas fazendo.

Quando o teu corpo ameaçar desfalecer, sejas duro e mostre pra ele quem é que manda.

Quando o teu corpo estiver exausto e teus músculos falharem, insista mais um pouco, você é capaz de ir mais além.

Nós somos divididos basicamente em corpo, mente e alma (e/ou espírito). Dos 3, quem manda é a mente. Pelo menos, era para ser assim.

O corpo está aqui somente para trabalhar, sustentar e transportar os demais.

A alma é o nosso link com o divino (ou com o Universo, se assim referir). Ela é o meio de contato com o que é imperceptível pelo corpo e está aqui para nos permitir elevar a mente, purificá-la e fazê-la alcançar o seu melhor estado.

Já a mente, por sua vez, é a administradora das nossas vidas e do tempo que dedicaremos a cada um dos 3. A mente é quem diz se daremos ouvidos ao corpo ou à alma ou a nenhum dos dois (ocasião em que ela é a voz a ser ouvida).

Nenhum desses “elementos” é completo sem os demais. Trabalhemos todos então.

Mas não esqueças: quem manda é a mente.





Dois corações

Ela é linda demais
E tem dois corações:
O que já estava lá desde o começo
E o que ela roubou de dentro do meu peito

Me lembro bem
Quando a vi pela primeira vez
Até hoje não sei bem o que ela fez
Mas algo dentro de mim despertou

Não foi paixão
Também não foi amor
Nem foi frio, nem calor
Apenas uma necessidade imensa de saber

Qual era o seu nome
E quantos anos teria
Onde será que ela vivia
E do que gostava de fazer

Como um mistério
Eu só queria decifrar
Cada pensamento, cada olhar
Tudo que dela vinha

É engraçado
Como o tempo passa tão rápido
Pois parece que foi ontem
Que eu a conheci

Ela estava lá
Sentada em seu canto
Sempre quieta, talvez me olhando
Mesmo sem perceber

Que pouco mais de dois meses depois
Estaríamos apenas nós dois
Oficializando o namoro que já existia
Do qual provávamos um pouco todo dia

Desde que ela roubou meu coração
E fez por merecer essa canção
Que com um sorriso no rosto agora escrevo
Em homenagem ao nosso começo

Ao começo de algo muito bom
Que eu batizei de meu vício


À minha linda musa inspiradora.