segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Palavras que o abismo robou

palavras me faltam 
para descrever o que sinto
pois não há nada a se dizer
quando se encara o abismo
diante do voo sem asas
sem corda, paraquedas
ou rede de segurança
não há mais esperança
apenas o abismo
e toda a sua profundidade
todo o seu mistério
a incerteza do que vem adiante
quando não houver mais nada por perto
apenas o vácuo
apenas o voo
apenas o limiar singelo
do eu vivo com o eu morto
eu continuarei em frente
ainda não sei como
mas seguirei adiante
sem a parte de mim que tanto amo

domingo, 22 de agosto de 2021

Juntos, rimos

rimos da nossa própria morte
à beira do abismo
rimos leve e felizmente
da cara do perigo
a piada mortal 
chegou ao fim
bem antes do que imaginávamos
já não estávamos mais aqui
laços desatados
por mais uma vez
caminhos separados
o que foi que a gente fez?
nos perdemos no meio do oceano
de palavras vazias
e saímos machucados e feridos
desse combate de ideologias
agora sentimos o aperto no peito
que outra vez se faz presente
por que será que o teu bom Deus
nos fez tão diferentes?
queremos a mesma coisa
um amor leve e feliz
mas caminhamos em diferentes dimensões
dessa falsa matrix

sábado, 14 de agosto de 2021

Lapide

pare

respire

investigue

lapide

pare apenas por um momento

em vários momentos do seu dia

respire de forma consciente

e se conscientize do que é a vida

investigue com dedicação e empenho

cada minúncia do seu universo interior

lapide a si mesmo constantemente 

até tornar-se apenas fonte de amor

sexta-feira, 23 de julho de 2021

Solize-se

e chove lá fora

o mundo se comove

se chove aqui dentro

a paz se extingue

pois não há quietude

na mente molhada

nem clareza de pensamentos

neste fluxo constante que persiste

fogem de controle os sentimentos

o caos se instaura com facilidade

logo se está a quilômetros do presente momento

bem distante de qualquer chance de felicidade

uma vez que ela floresce apenas onde há sol

luz e calor interior

onde o solo é fértil e propício

para o cultivo daquilo

que erroneamente chamamos de amor

afasta então as nuvens cinzas

que anunciam a chegada da tormenta

simplesmente aceita o sol que lhe habita

seja fonte inesgotável daquilo que a tudo ilumina

e a todos acalenta

terça-feira, 6 de julho de 2021

Chove lá fora

 o som que acalenta

e faz o corpo relaxar

torna a mente lenta

e me obriga a parar

para apenas contemplar

sem pressa e sem lugar

para onde ir

pois outro lugar não há

que não seja aqui

ouvindo o som da chuva

caindo no telhado

molhando o mundo lá fora

transbordando minh'alma

limpando os meus sentimentos

cessando a correnteza de pensamentos

que outrora aqui estavam

que me impediam de enxergar

que a vida não estar por vir

ela é a única realidade que há

na qual preciso imergir