segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Uma viagem alucinante a Juiz de Fora.

No último fim de semana, viajei a Juiz de Fora para participar do casamento de um casal de amigos que me convidou para ser padrinho.
Para facilitar a compreensão do texto, dividirei o mesmo em títulos contendo partes desse longo fim de semana.
Espero que aproveite a leitura.

RAÇÃO AOS PORCOS

Quinta-feira, às 23 horas, saí de casa rumo ao aeroporto. Meu voo saia por volta de uma da manhã de sexta.
No horário previsto, o avião decolou rumo a Guarulhos (minha primeira parada). Não recordo a hora que cheguei em Guarulhos, mas uma coisa chamou a minha atenção: a pressa das pessoas em levantar e sair do avião – que desespero! Parecia que tinham liberado a ração dos porcos...foram várias pessoas levantando e pegando suas bagagens, numa agonia sem fim, como se isso fizesse a porta do avião abrir mais rápido – e não fez. Ficaram todos segurando suas malas em fila indiana, esperando a porta ser aberta.

PERFUME NO AVIÃO? (O QUE NÃO FAZER EM UM AVIÃO)

Por volta de 8 da manhã de sexta, saí de Guarulhos rumo ao Galeão, no Rio de Janeiro.
Uma viagem rápida e tranquila, cuja tranquilidade somente fora interrompida no momento do pouso.
Dessa vez, diferentemente do ocorrido no pouso em Guarulhos, o avião não foi direto ao local destinado à sua parada – o piloto aguardava a liberação da vaga do avião. Assim, após o pouso, o avião ficou parado no meio do aeroporto por volta de 20 min, esperando sua vez de parar no local próprio.
Como sempre ocorre, os comissários de bordo alertaram os passageiros, informando que deveríamos ficar sentados, de cinto, até o momento em que a luzinha do cinto apagasse. Embora tenha sido nítido e claro o recado do comissário de bordo, imediatamente uma senhora levantou-se e abriu o bagageiro de mão para pegar sua mala. Vendo o ocorrido, o comissário repetiu o alerta, solicitando que “os passageiros se sentassem” - só tinha ela em pé.
Observando que aquela senhora ignorou totalmente o segundo aviso, ele repetiu o alerta, de uma forma um pouco mais ríspida e deixou claro que não era para ninguém mexer no bagageiro até que fosse autorizado. Após esse terceiro aviso, a senhora maleducada finalmente se sentou e ficou quieta no lugar dela.
Passados alguns minutos, outra cena chamou a minha atenção: ao lado dessa senhora apressada e desobediente, tinha uma outra senhora ainda mais sem noção que ela. A outra senhora simplesmente começou a passar seu perfume em pleno avião. Isso mesmo, como não podia tirar o cinto, nem levantar ou pegar a mala, ela resolveu adiantar sua vida e passar perfume ali mesmo.
Por favor, jamais façam isso. Nada justifica tamanho egoísmo e desrespeito com os demais.

Isso tudo e eu nem havia chegado ao meu destino final.

CARTÃO DE VISITAS DO RIO

Após horas de sono mal dormido no trajeto avião-aeroporto-avião-aeroporto, cheguei no Rio de Janeiro por volta das 9h30min. Do aeroporto peguei um ônibus com destino à rodoviária.
No trajeto, vi um famoso cartão-postal do Rio que não tinha visto antes (já tinha ido ao Rio duas vezes):
Numa passarela estavam dois jovens (não sei precisar a idade, mas pareciam ter vinte e poucos anos) sentados, aparentemente aguardando o tempo passar. Eu achei estranho eles estarem parados lá. Realmente era uma atitude suspeita – eu jamais ficaria parado ali esperando seja lá o que for – e estranha. Mais estranho do que isso foi ver dois policiais subindo as escadas da passarela enquanto apontavam suas armas (um deles estava com um fuzil!!!) para os dois jovens.
O ônibus passou e não tive como ver o que aconteceu depois. Mas isso já foi uma cena marcante para quem assistira ao filme Tropa de Elite alguns dias atrás.

RJ-JF (DURMA ANTES OU SOFRA DURANTE)

Chegando na rodoviária, peguei um ônibus com destino a Juiz de Fora.
A previsão da viagem era de 3 horas. Porém não é fácil sair do Rio numa sexta-feira. Saí da rodoviária do Rio por volta de 11h30min. Somente uma hora depois finalmente consegui chegar na BR – o Rio está em obras – tamanho o número de engarrafamentos que peguei.
A viagem RJ-JF foi tranquila, mas longa demais. Quando se está morrendo de sono, viajar de ônibus pode ser uma tortura. Você dorme e acorda mil vezes.
A paisagem é linda. O percurso é cheio de montanhas para todo o lado.
Mas eu tinha muito sono. Dormia. Acordava. Via as montanhas.
Dormia. Acordava. Via as montanhas.
Dormia. Acordava. Via as montanhas.
Dormia. Acordava. Via as montanhas.
Dormia. Acordava. Via as montanhas.
Fiz isso por mais de vinte vezes e nunca chegava em JF.

JUIZ DE FORA: O QUE DEVEMOS COPIAR?

Passado o sofrimento da viagem de ônibus, finalmente cheguei em JF.
Eu imaginava que iria para uma cidadezinha do interior de Minas. Mas não, Juiz de Fora é uma cidade relativamente grande e bem urbana, bem diferente do que eu esperava. A sua arquitetura lembra muito a da cidade do Rio de Janeiro e tem alguns traços de São Paulo também.
Lá, tive a sorte de ficar hospedado em um hotel que fica em frente a uma praça bem interessante. Nessa praça, vi uma coisa que nunca vira antes: eles têm uma área reservada aos cachorros. Isso mesmo, a praça é dividida em basicamente quatro partes: quadra de futebol, área de skate, playground e área dos caninos.
Nessa área, toda cercada, os donos levam seus cachorros e os deixam soltos. Eles brincam entre si. Correm de um lado pro outro, pulam, rolam...é um show a parte.
Amei o lugar e buscarei providenciar algo parecido aqui em Manaus.
Quem tiver sugestão de como fazer, por favor, entrar em contato.

O BAR DO BIGODE E O GARÇOM SINCERO

Noite de sexta é o momento de libertação de muitos brasileiros. Em Juiz de Fora não é diferente. Lá, como aqui, não tem mar nem muitas opções para os jovens se divertirem. Assim, no pouco que andei, vi muitos bares lotados, inclusive com muita gente comendo/bebendo em pé do lado de fora dos bares.
Fui a um bar indicado pela anfitriã: o Bar do Bigode.
É um bar tradicional de Juiz de Fora, conhecido por ter o melhor torresmo da região.
Lá, encontrei o noivo e alguns amigos. Conversamos bastante até conseguirmos ser atendidos – sim, o atendimento foi tão ruim e demorado quanto o de muitos bares daqui de Manaus. O atendente, um garçom muito doido – cujo nome não e recordo - que soltou algumas pérolas. Para melhor exemplificar, citarei alguns diálogos (ou o que lembro deles) ocorridos naquela noite:
Numa mesa de 9 pessoas, uma fala:
- Garçom, me vê um caldo de feijão.
Ele responde: Ok, um caldo de feijão pra cada!
- Não pô, só eu quero um caldo de feijão, os outros querem pedir outras coisas.
- Ah, então assim é melhor eu ir pegar a caderneta pra anotar os pedidos.
Pegada a caderneta, ele começa a anotar os pedidos. Um outro membro da mesa, vegetariano, pergunta:
- Tem carne nesse caldo de feijão?
Singelo, ele responde: - eu vou trazer um procê e você me diz se é bom ou não!
- Eu só quero saber se vem carne ou o que vem nesse caldo…
- Pera, vou trazer um procê, se tiver ruim, eu mesmo pago…
Nesse momento, ele vai embora pedir o caldo de feijão do carinha vegetariano.
Voltando, ele pergunta, de forma bem apressada:
- O que mais vocês querem?
Alguém retruca:
- Calma, você está com muita pressa, amigo
Ele, ainda mais delicado, responte:
- Vocês tão fodidos comigo...pegaram o pior garçom daqui HAHAHA

Depois dessa, vamos ao próximo título.

MONTE THE WALKING DEAD CRISTO

No sábado, por volta de 9 da manhã, enquanto as madrinhas se maquiavam/arrumavam os cabelos, fui a um ponto turístico tradicional de Juiz de Fora: o Monte Cristo.
Para chegar lá, eu peguei um táxi. Como não conhecia a cidade e não tinha muito tempo – eu tinha que voltar antes do almoço -, essa foi a melhor opção.
O taxista me levou no topo do monte e me informou que dificilmente eu conseguiria pegar ônibus ou táxi lá em cima, razão pela qual ele me passou o número da central de táxis e falou para ligar para lá quando quisesse ir embora. Ok – eu pensei – vou ligar não. Vou dar o meu jeito de voltar pro hotel.
Lá, pude ver porque ele é o ponto turístico mais recomendado da cidade. Localizado em um dos pontos mais altos de JF, a vista do alto do Monte Cristo é realmente incrível. Além da possibilidade de ver boa parte da cidade, lá de cima, é possível ver a “cordilheira” de montes e montanhas que cerca Juiz de Fora. Uma paisagem bem diferente para um manauara. Senti uma paz muito grande lá em cima.
Passados alguns minutos – uns 20 eu acho -, resolvi que era hora de descer – até porque estava frio e com jeito de que ia chover. Conversei com um senhor que vendia água e perguntei se era seguro descer o monte a pé. Ele disse “até hoje, nada nunca aconteceu...sempre foi seguro andar por esse caminho”. Ok, era tudo que eu queria ouvir. Comprei uma água e desci o monte.
O caminho, muito sinistro por sinal, foi completamente solitário. Ninguém descia ou subia o monte. Eu não ouvia nada além do som da floresta que cerca o caminho. Típica cena da série The Walking Dead. Faltava só alguns zumbis pra me colocarem para correr. Ainda bem que não apareceu nenhum haha
Desci e finalmente cheguei à estrada principal. Ela já não era mais tão isolada, pois passava alguns carros, mas ainda era sinistra, visto que não havia mais ninguém caminhando.
Nela, caminhei e caminhei e nada de encontrar algum táxi.
Em um certo ponto, começou a chuviscar. “Estou ferrado” – pensei. Já estava frio antes, imagina se chovesse.
Andei mais um pouco até chegar em uma área um pouco mais civilizada, quando busquei abrigo em uma academia. Lá perguntei se tinha algum ponto de táxi perto. A resposta foi bem consoladora: “tem nenhum aqui perto não, mas talvez você tenha sorte de encontrar algum na avenida”.
Ok. Como não estava chovendo, segui minha caminhada solitária.
Após uma hora de caminhada e algumas paradas para pedir informação em postos de gasolina, finalmente conseguir pegar um táxi. Era meio dia. Fui para o hotel almoçar.

CASAMENTO NO HARAS MORENA

No sábado, às 14:30 entrei na van para ir para o haras onde seria realizado o casamento.
O casamento começou por volta das 16 horas.
O haras, um local lindo, com direito a lago, gramado verde, montes, flores e pinheiros. Elementos estes que juntos, formaram uma paisagem de beleza indescritível.
Para completar, o Sol deu as caras exatamente no momento do início da cerimônia e se escondeu minutos após o fim da mesma. Um dos trabalhadores do Haras disse que não tinha feito Sol em nenhum dia da última semana, que tinha sido uma semana fria e de clima de chuva.
Definitivamente, foi um presente do Universo aos noivos.
E eles merecem.
O casamento foi lindo. Esteticamente falando, foi impecável.
Ainda mais linda foi a energia do casamento.
A natureza ao redor, o amor em torno do casal, a energia positiva vinda de todos os lados.
Não falarei mais, pois nada do que eu diga será capaz de descrever com exatidão o que foi essa tarde/noite do dia 29/8/2015.

A ENERGIA DOS PERNAMBUCANOS

O noivo, meu amigo Marcos, é pernambucano. Olindense.
Sua família e seus amigos também.
E eles foram ao casamento.
Que energia eles têm!!!
Dançaram por mais de 5 horas sem parar. Com três horas de festa, eu já estava esgotado – assim como os demais convidados (amazonenses, mineiros, cariocas, etc). Mas os pernambucanos estavam a mil. E como dança esse povo! É frevo na veia. É frevo na véia. É frevo no véio. É frevo na menina e no menino também. Todos dançam muito. Saí de lá convicto de que tenho que passar pelo menos um carnaval em Olinda e participar do Bloco dos Sujos (bloco de rua criado pelo noivo e por seus amigos).

PRA QUÊ DOIS DESPERTADORES? POR QUE NÃO COLOCA SOMENTE UM QUE FUNCIONE?

Após o casamento, um ônibus nos trouxe de volta ao hotel. Tínhamos que dormir porque no dia seguinte, a van que nos levaria ao Rio de Janeiro partiria às 7 da manhã.
Eu, como sou um cara prevenido, coloquei dois despertadores para tocar, pois assim acordaria de certeza. Um estava programado para tocar às 5:30 e o outro às 5:40. Não tinha como dar errado, visto que esses despertadores já me fizeram ir trabalhar mesmo depois de notes homéricas.
Pois bem, acordo às 7:20 com o telefone do quarto tocando. Na linha, uma amiga pergunta: você já está descendo?
De imediato, respondo – sim, estou a caminho.
Quando olho pro relógio e vejo: 7h20min. Não dava mais tempo.
Liguei de volta e falei que não iria com a van.
Assim, uma nova aventura se inicia.

TÁXI EM JUIZ DE FORA: NÃO TÃO VELOZES E FURIOSOS, MAS VIVENDO A VIDA NO LIMITE

Pegamos um táxi com destino à rodoviária de JF. Um senhorzinho tranquilo e pacato.
Seguíamos nosso caminho tranquilamente até que um outro táxi emparelha com o nosso e o outro taxista buzina e pergunta:
-Troca cem?
-Troco sim – responde o nosso taxista.
A partir daí teve início uma cena típica de cinema de Hollywood: os táxis seguiram emparelhados e se aproximaram, quase que batendo um no outro por diversas vezes, enquanto os taxistas tentavam trocar o dinheiro.
O engraçado é que eles passaram por uma faixa de pedestre que tinha uma mulher esperando para atravessar. Eles poderia simplesmente ter parado para a mulher passar, enquanto trocavam o dinheiro, mas não, assim não teria graça. O bom mesmo é trocar o dinheiro com os carros em movimento.
Após alguns segundos de emoção – e muitas buzinadas vindas dos carros de trás – finalmente eles conseguiram trocar a grana e seguir viagem.
Ainda tivemos que ouvir o seguinte comentário do taxista:
-Esse pessoal é muito agoniado.
Não, meu senhor, você que é um completo sem noção!

Esse foi o ponto alto da viagem. Adrenalina na veia.

DE VOLTA PARA A MINHA TERRA

Após fazer o percurso JF-RJ de ônibus em 2h15min, numa viagem bem mais rápida que a ida, fui para o Galeão e peguei o voo para Brasília. Nada demais aconteceu nesse trajeto – só o tradicional ritual da ração dos porcos (descrito no primeiro título), que já passou a ser comum, porque ocorreu em todos os voos que fiz.
De Brasília para Manaus, aconteceu mais do mesmo, mas um pouco diferente.
Quando o avião pousou, antes mesmo das luzes do cinto se apagarem ou de ter algum aviso dizendo para não se levantarem porque as portas ainda estavam fechadas, 90% das pessoas levantaram ao mesmo tempo e correram para pegar suas malas, inclusive empurrando e quase batendo a mala na cabeça dos outros. A partir daí o ritual da “ração dos porcos” passou a ser batizado de “quem quer dinheiro?”. Isso porque a impressão que tive foi que alguém gritou “Quem levantar primeiro ganha R$1.000,00!!!” Eu não ouvi isso, mas as pessoas devem ter ouvido, pois só isso justifica tamanha pressa e agonia para levantar e ficar 15 minutos em pé com a mala na mão.

CURIOSIDADES DE VOAR PELA TAM*

*Tópico extra, contendo coisas que ocorreram em todos os voos.

Todos os meus voos foram pela empresa TAM. E em todos eu notei algumas coisas estranhas:

1. O cão fantasma
Após cada pouso, há um cachorro que late de forma sincronizada por aproximadamente dois minutos sem parar. Não vi nenhum cachorro, mas o latido é igual ao de um rottweiler. Se alguém souber me dizer o que é esse latido, fico grato. Pois minha inteligência não me permite crer que há um rottweiler em cada aeroporto esperando cada voo chegar.

2. A linguagem rebuscada dos comissários de bordo
Alguém sabe porque diabos os comissários de bordo ficam falando “portas em automático” e “portas em manual”?
Não seria muito mais fácil e acessível se falassem simplesmente “portas fechadas” e “portas abertas”?

CONCLUSÃO

Esse foi o resumo – não tão resumido assim – da minha viagem de um fim de semana. Espero que tenha gostado.
Para quem chegou até aqui, deixo meu recado final:
Viaje!
Experimente!
Se arrisque!
Saia da sua zona de conforto!
Viva intensamente cada segundo!
Seja feliz!


Muito obrigado Gabriela Frade e Marcos Souza pela amizade e pelo carinho.
Parabéns mais uma vez!!!






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